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Distortions in the Field (Portugues)

A física tem-nos mostrado que num universo infinito, todas as possibilidades se esgotam e são repetidas até á infinidade. Isto é simplesmente uma fórmula matemática baseada em lógica simples, mas pode ser interpretado de maneiras diferentes. Uma destas refere que esta fórmula nos diz que há uma infinidade de universos paralelos ao nosso. As linhas são as linhas de vida das mesmas pessoas em vários universos paralelos. No fundo, visto que há uma infinidade de possibilidades, então nada pode ser preto ou branco; mas tem que ser preto, branco e uma infinidade de cores pelo meio. Todos os pontos de vista são possíveis e válidos, este é simplesmente o meu ponto de vista, a minha opinião, tão válida, e tão pouco válida, como qualquer outra.

Abstraction of Reality 100cm by 100cm Acrylic on canvas 2004

Abstraction of Reality 100cm by 100cm Acrylic on canvas 2004

Aqui vê-se o que é um fractal. É muito simples de perceber: toma-se uma forma geométrica de, digamos, 4 lados e replicamos a mesma forma em cada lado ad infinitum.

Constructing a fractal constructed through repetititon (notice how quickly complexity evolves)

Constructing a fractal constructed through repetititon (notice how quickly complexity evolves)

Como se vê, a complexidade da estrutura fica exponencialmente maior a cada passo da criação, mas o princípio é sempre o mesmo e muito simples. Como quando vemos um ramo de uma árvore podemos inferir e entender , pela geometria da estrutura, todo o resto da árvore, até aquela parte que não vemos. Nós também fazemos parte do universo, e somos simplesmente mais um elo na grande construção. Então a ideia aqui é que, se nós pudéssemos simplesmente entender-nos a nós próprios, conseguiríamos por inferência entender todo o resto do universo; Microcosmo/Macrocosmo.

Weak Interactions 80cm by 70 cm Acrylic on canvas 2008

Weak Interactions 80cm by 70 cm Acrylic on canvas 2008

Os Electrões tem peculiaridade, eles são como a luz. Tem uma dualidade de ser, são ao mesmo tempo ondas de energia sem peso nenhum, e partículas com um peso medível. Então o que a física nova veio descobrir é que os electrões são ondas de energia á volta do núcleo, que se manifestam como uma onda, se pretendes vê-los como uma onda, ou como uma partícula, se procuras vê-los como uma partícula. Depende de como o medimos: mas no fundo pode-se dizer que o electrão está em todo o lado e em lado nenhum ao mesmo tempo.

Distortions in the Field 120cm by 100cm Acrylic on Canvas 2007

Weak Interactions 120cm by 100cm Acrylic on Canvas 2007

Como nunca sabemos exactamente onde estão os electrões, é melhor pensar neles como sendo uma onda de probabilidade. Ondas de Probabilidade são muito mais facilmente vistas como transparências. Onde a cor for mais forte (menos transparente) é onde há mais probabilidade de encontrar o electrão. As forças que mantêm o electrão á volta do átomo são as forças nucleares fracas e são responsáveis pela capacidade de átomos poderem formar moléculas, que fazem os milhares de matérias diferentes que conhecemos. No fundo não são os objectos em si (lembra que os atomos sao 99.9999…% espaço vazio) mas sim as forças entre estes objectos que constroem a nossa realidade.

Weak Interactions 70cm by 80cm Acrylic on canvas 2007

Weak Interactions 70cm by 80cm Acrylic on canvas 2007

As forças fortes do núcleo fazem os elementos, e as forças fracas do electrão fazem as moléculas. E já vimos que são as forças entre dois objectos, não os objectos em si que são fundamentais na criação da realidade de que nos apercebemos. Podemos ver isto também nas pessoas. Não são tanto as próprias ideias ou realidades dos indivíduos que se demonstram, mas mais as interacções entre elas.

Então vamos pegar na linha de vida, como no primeiro quadro, que pode representar tanto uma pessoa, como um ponto de vista, uma realidade ou uma ideia.


Linha de vida de uma pessoa.

Linha de vida de uma pessoa,

Life line of another person

Linha de vida de outra pessoa.

As duas vidas em simultâneo, As duas vidas em simultâneo,

...and only the interactions.

…. e só as interacções entre eles.

Weak Interactions 100cm por 70cm Acrylic on canvas 2007

Weak Interactions 100cm por 70cm Acrylic on canvas 2007

Tal como a transparência era uma boa analogia, a probabilidade de posicionamento, também o é em relação às realidades partilhadas por pessoas. Podemos imaginar que cada linha de vida tem uma cor, que reflecte as ideias e opiniões; enfim, a realidade dessa pessoa. Tal como as opiniões, algumas são compatíveis, outras não. Quanto mais vasta a transparência, mais alargada será a nossa noção da realidade. Quanto mais transparentes formos, mais abertos seremos a outros pontos de vista. A tolerância é uma faceta do ego, a aceitação é a chave.

Strong Interactions 70cm by 100cm Acrylic on canvas 2007

Strong Interactions 70cm by 100cm Acrylic on canvas 2007

O núcleo do átomo consiste em neutrões e protões e eles tem uma força atractiva enorme entre eles, a força nuclear forte, milhões de vezes maior que entre o núcleo e o electrão. Aliás, é esta força que é libertada numa bomba ou reactor nuclear. Então, como é que os neutrões e protões não vão um contra o outro com tal força que se eliminam um ao outro? Bem, isto seria o que acontecia se eles estivessem quietos, mas o que acontece na realidade é que estes protões e neutrões andam tão rápido á volta um do outro - quase á velocidade da luz - o que faz com que a enorme força centrifugal deles se balanceie de uma forma muito precisa com a gigantesca força atractiva. Devemos ter em mente que nestas pinturas não são os objectos que estão a ser ilustrados mas sim as forças entre eles.

As pessoas também formam núcleos de amizades, de famílias, de tribos, de países… e de ideias! As ideias no centro são as mais fundamentais, os laços mais fortes, como os laços com familiares e amigos. É esta força nuclear forte que faz todos os elementos que conhecemos, que constrói a nossa realidade. E é estranho ver que o mundo que nós vemos como fixo e estável, é de facto muito dinâmico e feito de energia/matéria (é importante ter em mente que Einstein demonstrou que energia e massa são conversíveis). É mais importante a forma como vemos que o mundo material é de facto uma aglomeração de forças. São as forças entre os objectos que criam aquilo que nós vemos e sentimos. São os espaços entre os objectos que determinam como é a realidade.

Strong Interactions 200cm by 70cm Acrylic on canvas 2007

Strong Interactions 200cm by 70cm Acrylic on canvas 2007

É de salientar que o equilíbrio das forças que cria estabilidade também é uma boa analogia para as relações fortes entre as pessoas. Tem que haver equilíbrio entre as forças, entre as pessoas, tem que haver uma força que separa, que dá liberdade, e tem que haver uma força atractiva que une. E é o constante fluxo entre estas duas forças que vai manter as pessoas juntas.

Como vemos, nada é estático, tudo é um fluxo, uma aglomeração dinâmica de forças. Tudo se expande e contrai, como se se tratasse de respirar. A expansão é para fora e abre a mente a novas ideias, a contracção é para dentro e dá lugar á assimilação da informação ou a que esta seja encaminhada para os sítios certos.

Expansion 130cm by 110cm Acrylic on canvas 2007

Expansion 130cm by 110cm Acrylic on canvas 2007

Existe um fluir constante, uma expansão de espaço, de sentimentos, de probabilidades. Antes de qualquer decisão há uma expansão, uma inflação das probabilidades do que pode acontecer, o futuro está em aberto. Depois com cada decisão tomada há uma contração, o futuro ficou definido. Este processo faz com que surja uma enormidade de outras alternativas; outra vez a expansão.

Contraction 100cm by 100cm Acrylic on canvas 2007

Contraction 100cm by 100cm Acrylic on canvas 2007

A expansão é o activo, o descobrimento: a contração é o passivo, o entender.

É assim que nós aprendemos, primeiro temos que expandir a nossa realidade para deixar entrar novos conceitos, novas ideias, depois temos que contrair, para estabelecer essas ideias, prontos para mais uma expansão onde poderemos entender ainda mais.

A gravidade deixou de ser vista como uma corda que une dois objectos, e agora é visto como uma dobra, ou uma distorção, no espaço/tempo. Mais uma vez vemos os planetas, com o incrível equilíbrio entre as forças que os unem e as forças que os separam. O interessante acerca da gravidade, é sabermos que qualquer coisa que tem massa, tem gravidade. O que quer dizer que cada átomo cria uma distorção no espaço/tempo á sua volta. Assim o espaço/tempo parece mais um mar turbulento do que um plano liso dobrado. Uma coisa pode ser dita sobre a força da gravidade: é que esta cria uma condição que faz com que objectos similares são puxados um para o outro. Então vamos tentar pensar na gravidade não como uma força que emitimos, mas como uma condição criada á nossa volta pela distorção do espaço/tempo.

Gravity 80cm by 80cm Acrylic on canvas 2007

Gravity 80cm by 80cm Acrylic on canvas 2007

Há uma gravidade entre as pessoas; as pessoas com ideias similares (com realidades similares) juntam-se, unem-se. Isto é o que cria movimentos artísticos, partidos politicos, etc. Quanto mais pessoas acreditam numa realidade, mais fácil é outras pessoas também acreditarem nessa realidade. Como se a quantidade de consciências crentes criassem uma massa maior e assim uma maior gravidade para pessoas com realidades mal estabelecidas assumirem a realidade dos outros (Isto pode ser um instinto de sobrevivência). Vemos isto com religiões e cultos e ditaduras. Depois também há pessoas que parecem ter mais gravidade que outras, são de certeza mais carismáticas, mas o que eu acho é que eles acreditam mais na sua realidade do que as outras pessoas á volta acreditam nas delas próprias. No fundo podemos imaginá-las como pessoas mais densas que deste modo criam uma maior distorção no espaço/tempo da consciência colectiva á volta deles. Vemos que todas as pessoas são fundamentalmente iguais, e todos são capazes de fazer exactamente as mesmas coisas, isto porque nós aprendemos a ser aquilo que somos.

Gravity  90cm by 90cm Acrylic on canvas 2007

Gravity 90cm by 90cm Acrylic on canvas 2007

Tudo está ligado. A física diz-nos que cada partícula de todo o universo está ligada a cada outra partícula. Não por inferência - A ligado ao B e B ligado ao C - mas sim, que cada partícula está directamente ligada a cada outra partícula. A física tambem nos diz que de uma certa forma, cada partícula contém todos as outras partículas e que de uma certa maneira, todo o universo está contido em todas as suas partes. É um bocado estranho pensar nas coisas assim, se calhar a melhor maneira de visualizá-lo é reportando-nos a um conto de um Upanishad (texto sagrado hindu), que fala de uma sala no céu que tem milhares de pérolas, mas todas arranjadas de tal forma que cada uma reflecte todas as outras.

Everything is Connected  100cm by 120 cm Acrylic on canvas 2004

Everything is Connected 100cm by 120 cm Acrylic on canvas 2004

Tudo o que fazemos liberta uma energia, um movimento, uma palavra, um pensamento, esta energia afecta todas e quaisquer outras partículas no universo inteiro e também passa a todas as outras realidades paralelas.

Sempre que falamos de realidades paralelas podemos pensar: onde estão estas realidades? Onde se situam? No fundo, se tudo está ligado e tudo contém tudo o resto, esta pergunta deixa de fazer sentido, e reparamos que está tudo a acontecer aqui e agora. Podemos imaginar que as realidades diferentes são simplesmente como frequências diferentes, e o que nós experienciamos depende da frequência na qual nós estamos sintonizados.

Abstraction of Reality 110cm by 90cm Acrylic on canvas 2000

Abstraction of Reality 110cm by 90cm Acrylic on canvas 2000

Tal como todas as frequências diferentes do espectro electro-magnético podem ocupar o mesmo espaço, então da mesma forma todas as realidades acontecem em simultâneo no mesmo espaço, simplesmente em frequências diferentes.

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